Saúde no Brasil (Foto: Arquivo Google)

Prezadas doutoras Teresa Cristina Cardoso, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE),  Annemeri Livinalli, farmacêutica e diretora de comunicação da Sociedade Brasileira de Farmacêuticos em Oncologia  (SOBRAFO) e Belinda Pinto Simões, vice-presidente da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH).

Que belo trabalho que vocês fazem cuidando de criancinhas com leucemia linfocítica aguda (LLA)!

Como muita gente que não é da área da saúde vai ler essa carta explico que a LLA é uma forma de câncer caracterizado pela aumento exagerado de glóbulos brancos – leucócitos atípicos e imaturos – na medula óssea, podendo disseminar-se para o sangue, baço e, em última instância, para outros tecidos. De causa desconhecida tem como principal modalidade de tratamento a quimioterapia, que vocês administram com tanta eficiência com uma taxa de cura de 70%.

Fiquei impressionado ao ver o curriculum de vocês. A internet …

Mas o que realmente me fez escrever à vocês, mulheres destemidas, foi conhecer o teor do encontro realizado ontem (5 de abril) na sede do Ministério da Saúde (MS) em Brasília, sobre os esclarecimentos a respeito da compra da L-Asparaginase importada da china.

Fiquei chocado!

Vocês tiveram apenas pouco mais de 10 minutos, numa reunião de quase cinco horas para debater um tema tão complexo. Foi mesmo uma reunião ou o quê?

Quanta gente do Ministério da Saúde!

Quantas siglas, coordenadores, especialistas, advogados, diretores e chefes: SAS, DAF, SCTIE, ANVISA, INCA, HCB, DAET, DGITS, CGIES, CEAF, CGAFME, CONJUR, DELOG e CGAFB.

Pelo que li o MS economizou 25 milhões de reais com a importação do produto chinês, a ser entregue por uma firma de origem uruguaia (Xetley) , que venceu uma firma de origem argentina (Bagó) e conseguiu desclassificar a multinacional Baxter. Caramba, será que vai resolver um pouco do déficit público?

Fiquei de queixo caído ao saber que, apesar da recomendação do próprio MS de “comprovação de eficácia e segurança por meio de literatura científica”, insistiram em dizer que a importação de medicamento em caráter emergencial ou excepcional requer apenas o cumprimento de dois itens (registro no pais de origem e certificado de boas práticas de produção).

Ainda afirmaram que as entidades que vocês representam não têm prerrogativa nem competência regulatória. Isso foi no mínimo um enorme desrespeito e desconsiderar o debate científico.

Claro que os pacientes, médicos e hospitais têm a liberdade de aceitar ou não essa droga, mas  esse tratamento deve ser financiado pelo SUS e não pelo contribuinte que paga muito, para ter tão pouco.

Tenho certeza que as entidades de saúde, como as que vocês representam, buscam maior segurança para nossas criancinhas, e o que essa economia pode, eventualmente, sair cara. Não sei se presidente da república vai ler essa carta, mas sei que que muita gente vai ler e vai se posicionar.

Parabéns pelo trabalho, grandes mulheres brasileiras.




Fonte: O Globo

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