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LONDRES — A terapia de reposição de testosterona não parece aumentar o risco de doença cardiovascular ou de eventos tromboembólicos em homens de meia-idade, mas aumenta o risco de apneia obstrutiva do sono, sugerem os resultados de um grande estudo de coorte.

De fato, o risco para um evento cardiovascular foi menor em homens que usaram suplementação de testosterona do que naqueles que não usaram, disse o pesquisador principal Dr. Julian Hanske, da Ruhr University Bochum em Herne (Alemanha), que colaborou no estudo durante um fellowship no Brigham & Women’s Hospital,em Boston.

Mas os médicos precisam saber se o paciente sofre de apneia obstrutiva do sono antes de prescrever a testosterona, afirmou o Dr. Hanske no Congresso de 2017 da European Association of Urology.

Estudos de coorte das consequências cardiovasculares e tromboembólicas da suplementação com testosterona geralmente se basearam em fontes como o banco de dados de Vigilância, Epidemiologia e Desfechos do Medicare, que é limitado a uma população mais idosa, disse ele ao Medscape.

Para entender melhor os riscos relativos associados à terapia de reposição de testosterona em uma população mais jovem, o Dr. Hanske e sua equipe pesquisaram o banco de dados de seguros militares americanos TRICARE, que abrange todos os militares aposentados da ativa e seus dependentes.

Eles procuraram por homens de 40 a 65 anos de idade tratados por baixos níveis de testosterona. Os pacientes eram excluídos se tivessem história de doença cardíaca, tromboembolismo, câncer de próstata ou apneia obstrutiva do sono.

Para a coorte final, 3422 homens que usavam testosterona foram pareados com 3422 indivíduos controle que não usavam o hormônio, por ano de nascimento e a seguir por data da primeira prescrição de testosterona e, em seguida, por raça e comorbidades no início do estudo.

Os desfechos do estudo foram sobrevida livre de eventos e risco absoluto de doença cardiovascular, tromboembolismo ou apneia obstrutiva do sono.

Temos tantos medos em relação à terapia de reposição com testosterona

A sobrevida livre de eventos cardiovasculares foi significativamente melhor no grupo de testosterona do que no grupo controle (P = 0,0085) e o risco de doença arterial coronariana foi menor no grupo de testosterona (P = 0,0082).

Não houve diferença na sobrevida livre de eventos tromboembólicos entre os grupos testosterona e controle (P = 0,0998).

No entanto, o risco absoluto em dois anos de apneia obstrutiva do sono foi significativamente maior no grupo de testosterona do que no grupo controle (16,5% em relação a 12,7%, P = 0,0001).

Esses resultados são tranquilizadores, disse o comoderador da sessão, Dr. Raanan Tal, diretor do programa de infertilidade masculina no Rambam Medical Center, em Haifa, Israel.

“Temos tantos medos em relação à terapia de reposição de testosterona e, na verdade, o que eles mostraram é que não há evidência para muitas das nossas crenças”, disse ele ao Medscape.

“O fato de não haver um aumento nos eventos cardiovasculares ou eventos trombóticos é uma mensagem importante – mais importante do que o risco de aumento da apneia obstrutiva do sono”, explicou ele.

Mas o outro comoderador da sessão afirmou acreditar que as descobertas seriam mais convincentes se os pesquisadores tivessem usado a correspondência de pontuação de propensão ou um método estatístico semelhante para garantir uma estreita correspondência caso-controle.

“A idade é um fator de risco”, ressaltou o Dr. Andrea Salonia, médico da Vita-Salute San Raffaele University, em Milão (Itália). “Quanto mais jovem o paciente, menor a probabilidade de se ter dificuldades para dormir à noite, e eles não ajustaram para essa questão específica, ou pelo menos não encontraram qualquer tipo de diferença de acordo com essa variável específica”.

“Ao mesmo tempo, o número de pacientes considerados foi surpreendente, e este é provavelmente um dos estudos mais importantes pela enorme coorte que eles selecionaram”, disse o Dr. Salonia ao Medscape.

Dr. Hanske, Dr. Tal, e Dr. Salonia declararam não possuir conflitos de interesses relevantes ao tema.

Congresso de 2017 da European Association of Urology (EAU): Resumo 256. Apresentado em 25 de março de 2017.

 




Fonte: Medscape

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