por Weverton S Teixeira

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O diabetes mellitus é um conjunto de distúrbios metabólicos caracterizado pelo aumento da quantidade de glicose no sangue (hiperglicemia)1,2. Atualmente, cerca de 420 milhões de adultos no mundo são portadores de diabetes, número quatro vezes maior que o da década de 19802. No Brasil, 8% da população é diabética – são mais de 16 milhões de pessoas2. O diabetes mellitus pode ser classificado em tipo 1, tipo 2, gestacional e outros2,3. O diabetes mellitus tipo 1 é autoimune, pois as células de defesa do organismo destroem as células do pâncreas que produzem e secretam insulina e, por isso, o paciente diabético necessita de doses diárias desse hormônio2,3. No diabetes mellitus tipo 2, a insulina secretada é insuficiente ou não consegue promover a entrada de glicose nas células, caracterizando resistência à insulina3. Já o diabetes gestacional acontece porque a gestante apresenta alterações hormonais que podem levar à resistência à insulina e, se não tratada, pode causar problemas para a mãe e o bebê, como crescimento excessivo (macrossomia fetal), parto traumático e hipoglicemia neonatal3,4. Os principais sintomas de diabetes são: sede excessiva; grande volume de urina, com aumento na frequência urinária; perda de peso; fraqueza; sonolência; dormência e formigamento nas mãos e nos pés2,3.

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O diagnóstico de diabetes é realizado por exames que medem a glicemia (concentração de glicose no sangue).  Atualmente, o critério preferencial para o diagnóstico é o exame da hemoglobina glicada. Ele avalia a quantidade de glicose ligada às hemácias por aproximadamente três meses antes do exame, sendo por isso, mais confiável. Outros exames também são aceitos para diagnóstico de diabetes, como o teste de tolerância a glicose (glicemia pós-prandial – medição da glicemia duas horas após a ingestão de 75 gramas de glicose), glicemia casual e glicemia de jejum4. Assim, caso haja alteração na quantidade de glicose no sangue do paciente, ele pode ser classificado como pré-diabético ou diabético. O paciente é considerado pré-diabético quando a glicemia em jejum está entre 100 e 125 mg/dL ou entre 140 e 199 mg/dL no teste de tolerância2,4. Para esse paciente não é necessário iniciar tratamento medicamentoso, pois dieta e exercícios físicos podem ser suficientes para diminuir a glicemia3,4,5. Ao reduzir o consumo de carboidratos e lipídios, diminui-se a quantidade de glicose no sangue e os exercícios físicos aumentam a captação de glicose pelos músculos, diminuindo a resistência à insulina3,4. Quando a glicemia de jejum é maior ou igual a 126 mg/dL ou o teste de tolerância à glicose é superior a 200 mg/dL, o paciente é classificado como diabético4. Nesse caso pode ser necessário tratamento medicamentoso, além da alimentação saudável e prática de exercícios físicos, que devem ser recomendadas por profissionais de saúde4.

Em um estudo com duração de quatro anos, mais de três mil pessoas com índices glicêmicos entre 95 e 125 mg/dL em jejum, e 140 a 199 mg/dL após o teste de tolerância à glicose foram acompanhadas para avaliar a incidência (ocorrência de novos casos) de diabetes. Todos os participantes foram aconselhados sobre hábitos alimentares saudáveis e prática regular de exercícios físicos. Apesar da metformina não ser a primeira opção de tratamento para pacientes pré-diabéticos*, o estudo propõe comparar os benefícios do uso do medicamento e mudanças no estilo de vida na prevenção do diabetes. Os pacientes foram divididos em três grupos: 1) tratado com metformina (medicamento antidiabético); 2) tratado com placebo (comprimido sem a substância ativa); e 3) tratado com mudança intensa no estilo de vida, com prática de atividade física por pelo menos 150 minutos por semana e uma dieta com baixo índice calórico.

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O grupo que mudou o estilo de vida apresentou menor incidência de diabetes (4,8 casos a cada 100 pessoas/ano), seguido pelo grupo tratado com metformina (7,8 casos a cada 100 pessoas/ano)5. Por último, o grupo tratado com placebo apresentou incidência de 11 casos a cada 100 pessoas/ano. Dessa forma, melhorando os hábitos alimentares e praticando atividade física regular, é possível prevenir ou retardar o aparecimento do diabetes e, provavelmente, minimizar os riscos das complicações. Além de apresentar o melhor controle da glicemia, os participantes do grupo que mudaram o estilo de vida tiveram maior perda de peso corporal5.

Incluir hábitos saudáveis e controlar o peso corporal são medidas importantes para prevenir o diabetes.  Caso sinta algum sintoma, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima para avaliação. Relate ao médico informações importantes, como sintomas e histórico familiar de diabetes. Se a glicemia estiver acima dos níveis normais, procure informações com profissionais de saúde sobre os hábitos alimentares que podem auxiliar no controle da glicemia e a possibilidade de praticar exercícios físicos. Cuide da sua saúde e faça exames laboratoriais periodicamente, caso já tenha apresentando alguma alteração da glicemia.

* em pacientes pré-diabéticos com sobrepeso ou obesidade, a metformina pode ser usada como tratamento inicial.

Referências:

1 Powers AC, D’Alessio D. Pãncreas endócrino e farmacoterapia do diabetes melito e da hipoglicemia. As bases farmacológicas da terapêutica de Goodman & Gilman. 12ª edição; 2012. p. 1237-1273.

2 World Health Organization (WHO). Genebra. Diabetes. Acesso em 2017 jan 26. Disponível em: http://www.who.int/diabetes

3 Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Estados Unidos. Acesso em 2017 jan 26. Disponível em: http://www.cdc.gov/diabetes/home/index.html

4 Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes. 2015-2016.

5 Knowler WC et al. Reduction in the incidence of type 2 diabetes with lifestyle intervention or metformin. N Engl J Med. 2002 fev; 346 (6): 393-403.




Fonte: CEMEDMG

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