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O risco de diabetes tipo 2 pode ser previsto e a presença de pré-diabetes pode ser identificada pela dosagem da HbA1c com a mesma precisão do que com outros testes menos convenientes, confirmam pesquisadores dos Estados Unidos.

Examinando dados de um estudo de longo prazo em uma população indígena americana, a equipe descobriu que não havia diferença entre os exames de HbA1c, glicemia de jejum, e teste oral de tolerância a glicose de duas horas (TOTG) na identificação de crianças que desenvolveriam diabetes futuramente.

A pesquisa foi publicada na edição de janeiro do periódico Diabetes Care.

De acordo com a coautora Dra. Madhumita Sinha, do National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases, National Institutes of Health, em Phoenix, Arizona, o grande benefício do exame de HbA1c é a conveniência.

Ela disse ao Medscape que, ao avaliar uma criança de 10 anos com sobrepeso ou obesidade, “a maioria dos pediatras faria uma glicemia de jejum”. No entanto, observou ela, “na minha opinião, nenhuma criança está em jejum às 8 da manhã”.

De forma crucial, a Dra. Madhumita acredita que, apesar de o estudo ter sido conduzido em uma população conhecida pelo alto risco de desenvolver diabetes, os resultados são generalizáveis para outros grupos.

Ela disse que, junto com o fato de que a população foi acompanhada por mais de 40 anos, houve a “vantagem” de que os pesquisadores conseguiram realizar todos os exames no mesmo laboratório.

“Esse é um conjunto de dados únicos”, observou a Dra. Madhumita, “e como todos os exames laboratoriais foram feitos em nossas próprias instalações em Phoenix, é muito padronizado”.

A American Diabetes Association (ADA) recomenda que crianças e adolescentes assintomáticos sejam triados para diabetes tipo 2 se têm idade ≥ 10 anos, índice de massa corporal ≥ percentil 85 para idade e sexo, e no mínimo dois fatores de risco adicionais.

Os fatores de risco incluídos no estudo foram diabetes tipo 2 em um parente de primeiro ou segundo grau, grupos étnicos específicos e história materna de diabetes ou diabetes gestaciona.

Embora medir a HbA1c em crianças seja conveniente, pois não requer jejum e um único teste pode diagnosticar e monitorar o controle glicêmico, poucos estudos estudaram a associação entre a HbA1c na infância e o risco de desenvolver diabetes.

Assim, os pesquisadores mediram a HbA1c, glicemia de jejum e TOTG em um estudo longitudinal de residentes de uma comunidade indígena americana acompanhados de 1965 a 2007.

A análise atual incluiu 2095 crianças e adolescentes não-diabéticos com idades variando entre 10 a 19 anos, no momento do recrutamento, que foram monitorados até os 39 anos, e 2005 adultos com idades de 20 a 39 anos, que foram monitorados até os 59 anos.

Dentre as crianças e adolescentes, 18,8% tinham sobrepeso e 53,1% eram obesas, enquanto as taxas equivalentes para adultos eram de 19,1% e 73,8%, respectivamente.

A prevalência de pré-diabetes foi de 3,0% em crianças e adolescentes e de 8,4% em adultos, quando classificada por uma HbA1c ≥ 5,7%, em contraste com 9,2% em crianças e adolescentes e 21,1% em adultos, se fosse utilizado o critério de glicemia de jejum ≥ 100 mg/dL. A intolerância a glicose, determinada por um TOTG de duas horas ≥ 140 mg/dl, teve prevalência de 8,1% em crianças e 17,3% em adultos.

O tempo mediano para diagnóstico de diabetes ou o último exame antes do surgimento do diabetes foi de 5,2 anos nas crianças e adolescentes e de 4,6 anos nos adultos. Os padrões de incidência de diabetes foram semelhantes para crianças e adultos, embora as taxas tenham sido maiores em adultos.

Os pesquisadores observaram que crianças e adolescentes do sexo masculino que se encontravam no grupo de de HbA1c mais elevada (5,7% a 6,4%) no início do estudo, tinham uma incidência quatro vezes maior de diabetes durante o seguimento do que aqueles com a menor categoria de HbA1c HbA 1c (≤ 5,3%). Crianças e adolescentes do sexo feminino com a categoria mais elevada de HbA1c tiveram uma incidência sete vezes maior de diabetes do que aquelas na menor categoria.

Em meninos, meninas e homens, as áreas sob a curva característica (AUC) para HbA1c não foram significativamente diferentes daquelas para glicemia de jejum e TOTG. Em mulheres, a HbA1c teve uma AUC menor que o TOTG, de 0,63 versus 0,70 (P = 0,0012).

“A falta de uma diferença significativa na AUC entre a HbA1c e as medidas de glicemia sugere que todos os três exames têm o potencial de oferecer o mesmo nível de sensibilidade e especificidade, dependendo do limite escolhido”, escrevem os autores.

No entanto, o motivo para “o pior desempenho da HbA1c em mulheres adultas é incerto”, de acordo com os autores. Eles apontam que a deficiência de ferro tem sido demonstrada comumente em mulheres e está relacionada a maior HbA1c. Entretanto, essa teoria não pode ser explorada devido à falta de exames do ferro no estudo atual.

Entre crianças e adolescentes que cumpriam os critérios de triagem para diabetes da ADA, a incidência acumulada estimada em 10 anos para diabetes naqueles com HbA1c ≥ 5,7% foi de 78% versus 23% para aqueles com HbA1c < 5.7%, resultando em um valor preditivo positivo (VPP) de 78% e um valor preditivo negativo (VPN) de 77%.

Para a glicemia de jejum ≥ 100 mg/dL, o VPP foi de 36% e o VPN foi de 78%, enquanto o VPP e o VPN para o TOTG ≥ 140 mg/dL foram de 52% e 80%, respectivamente.

Os pesquisadores concluíram que a HbA1c “pode ser usada para avaliar o risco de diabetes em crianças ou identificar crianças com pré-diabetes com a mesma confiança que a glicemia de jejum ou o TOTG”.

A Dra. Madhumita acrescentou que o próximo passo da equipe será avaliar a relação entre os níveis basais de HbA1c e o desenvolvimento de complicações do diabetes.

Essa pesquisa foi financiada pelo Intramural Research Program do National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases. Os autores relataram não possuir conflitos de interesse relevantes.

Diabetes Care. 2017;40:16-21. Artigo




Fonte: Liam Davenport via Medscape

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