Eles trabalhavam na área havia anos, mas isso não impediu que, depois dos 50, voltassem aos bancos universitários em busca de especialização.

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

 

O amor pela profissão levou um grupo de quatro pessoas a buscar um caminho mais difícil: retomar os estudos, entrar na universidade e se formar no curso de farmácia depois dos 50 anos. O resultado foi além do diploma e se transformou em conquista e realização pessoal. Donos de farmácias, Benjamim Rodrigues dos Santos, 65 anos, Moisés da Conceição Lopes, 63, Ageu de Assis Pereira, 61, e Fátima Leão dominavam a prática havia anos, mas queriam ir além. Faltava conhecimento técnico. Encorajados, correram atrás da especialização. Há nove anos, além de empresários, tornaram-se profissionais de saúde diplomados. E o reconhecimento chegou anos após a conclusão do curso. Com outros cinco profissionais, serão os primeiros a receber o Selo de Assistência Farmacêutica do Distrito Federal (SAF).

Além de compartilharem o mesmo ofício, o grupo tem outra trajetória comum: todos se formaram juntos. Os três homens eram da mesma turma e se ajudaram ao longo do curso, inclusive com aulas particulares. Fátima estudava de manhã, mas vestiu a beca com eles. Entre as recordações, estão os momentos em que dividiam o tempo entre o trabalho, os estudos e a família.
Desde a qualificação, os farmacêuticos colecionam histórias de ajuda aos clientes, que os procuram em busca de orientação. Para eles, a experiência, atrelada à idade, transmite mais firmeza e segurança para quem chega às farmácias. Não é raro pacientes com receitas médicas confirmarem os medicamentos com os farmacêuticos. Eles tiram dúvidas, questionam os efeitos, pedem indicação de similares e compartilham inseguranças. Moisés chegou até a ligar para um dos médicos. “Telefonei para ele e acabou que a receita foi modificada. Muitos clientes saem do médico e recorrem ao farmacêutico para saber se realmente o remédio vai resolver”, conta.

Farmacêutico e empresário, Moisés trabalha no setor desde jovem, quando servia ao Exército Brasileiro. De funcionário, virou chefe. Ele teve três estabelecimentos em Ceilândia. Depois, mudou-se para Taguatinga e, desde 1991, mantém a Drogaria Nacional, em Samambaia. “É uma paixão. Mexendo com medicamentos, eu me interessei e decidi fazer o curso”, lembra Moisés, que pegou o diploma aos 54 anos.




Fonte: Correio Brasiliense

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