Os médicos não estão mais de acordo com a exigência do jejum de 12 horas para os exames de sangue usados para prevenir doenças cardíacas. A dispensa do jejum já é recomendação em países da Europa e em até alguns hospitais do Brasil.
A exigência é para fazer exames que medem os níveis de gordura no sangue: colesterol e triglicerídeos, que servem para avaliar o risco de doenças cardíacas, como um infarto, por exemplo. Mas ficar tantas horas sem comer pode não ser mais necessário.
O fim do jejum de 12 horas foi um dos assuntos discutidos em um congresso da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial no Rio.
Com as técnicas mais avançadas, o consumo de alimentos antes desses exames não interfere mais na análise feita nos laboratórios. E estudos já comprovaram que é importante diagnosticar os pacientes que têm níveis de colesterol e triglicerídeos altos depois da alimentação.
É que quando uma pessoa fica muitas horas sem comer os níveis de colesterol e triglicerídeos e tendem a baixar. E se a dosagem for feita nesse período, quando as taxas estão menores, o resultado pode não refletir o verdadeiro risco de uma doença cardiovascular.
“Com um tempo de jejum prolongado você não identificava esses pacientes com maior risco. Daí, você deixava de identificar grande parte dos pacientes, porque eles acabavam mascarando um falso valor baixo de colesterol e triglicérides”, explica o diretor de Ensino da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica.
A Sociedade Europeia de Cardiologia não recomenda mais jejum de 12 horas. No Reino Unido, o Sistema Nacional de Saúde ainda orienta esse período sem alimentação antes dos exames. Nos Estados Unidos, o assunto também já começou a ser debatido. Mas ainda não houve mudança. No laboratório do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, um dos mais importantes do país, os pacientes já não precisam mais ficar tantas horas sem comer. No Brasil, a exigência pode estar com dias contados.
“A gente deve recomendar a flexibilização desse jejum provavelmente até o final do ano, com benefício grande tanto para a parte do laboratório, que pode agilizar sua rotina, e para o paciente que não precisa mais ficar nessa tortura dessas 12 horas”, afirma Carlos Eduardo Ferreira.



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