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Por : Leoleli Schwartz

A segunda fase de testes clínicos com a fosfoetanolamina sintética deve iniciar nesta segunda-feira (10) no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). Da nova etapa, que vai avaliar a eficácia do composto no tratamento do câncer em humanos, participarão 200 voluntários selecionados entre pacientes atendidos na instituição.

Na primeira etapa dos testes, iniciada em julho deste ano, o produto foi administrado em 10 pacientes por um período de dois meses. Destes, seis foram retirados do estudo porque apresentaram progressão da doença e quatro seguiram recebendo o composto por via oral. O acompanhamento destes voluntários mostrou que a fosfoetanolamina não provoca efeitos adversos graves, o que possibilitou o início da segunda fase de testes.

Desta segunda etapa, que deve durar seis meses, participarão 200 pacientes, divididos em 10 grupos de acordo com o tipo de tumor, sendo eles: pulmão, cabeça e pescoço, mama, colorretal, fígado, melanoma, pancreático, gástrico, cervical e próstata. Nos primeiros dois meses o acompanhamento dos pacientes será quinzenal. Após esse período os voluntários serão avaliados mensalmente.

Caso a fosfoetanolamina sintética demonstre resultados positivos, mais pacientes serão incluídos nos testes, “e isso acontecerá até atingir o número máximo de mil pessoas (100 para cada tipo de câncer)”, informou a Secretaria de  Saúde do Estado de São Paulo em nota divulgada à imprensa. De acordo com a pasta, a estratégia de ampliação no número de participantes visa a melhor compreensão da substância.

Entenda o caso

A fosfoetanolamina sintética foi desenvolvida nos anos 90 pelo químico Gilberto Chierice no Instituto de Química da USP de São Carlos. Mesmo sem ter registro como medicamento na Anvisa, o composto, sem qualquer comprovação científica de segurança ou eficácia, foi produzido e distribuído por anos a pacientes oncológicos como um medicamento capaz de tratar o câncer.

Foi somente quando o laboratório da universidade parou de produzir e distribuir as cápsulas, que a grande quantidade ações na Justiça pedindo o restabelecimento do fornecimento do produto trouxe à luz a polêmica distibuição.

Em abril, a então presidente Dilma Rousseff sancionou uma lei autorizando a produção e a distribuição da fosfoetanolamina sintética mesmo sem o aval da Anvisa. A decisão deixou apreensivos os pesquisadores e ampliou a demanda de pacientes sem possibilidade terapêutica para se tratarem com o produto.

Diante da repercussão nacional, em julho o governo de São Paulo anunciou a realização de testes com a substância em pacientes com câncer e designou o Icesp para encabeçar a pesquisa.




Fonte: Medscap

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