Os antibióticos surgiram no século 20 para curar doenças até então incuráveis. Agora, porém, o grande combatente de infecções bacterianas desperta preocupação entre especialistas. Em artigo publicado na revista científica Neurology, cientistas dos Estados Unidos alertam que o medicamento pode provocar agitações corporais anormais, delírios e outras disfunções cerebrais.

Para o estudo, os investigadores da Academia Americana de Neurologia (AAN) analisaram relatórios científicos disponíveis em bibliotecas virtuais e encontraram relatos de 391 pessoas que, após tratamento com antibióticos, sofreram problemas neurológicos. Desses pacientes, 47% manifestaram delírios ou alucinações, 14% tiveram convulsões, 15% demonstraram espasmos musculares involuntários, 5% sofreram perda de controle dos movimentos do corpo e 19% apresentaram exames neurológicos com alguma alteração negativa.

Um total de 54 tipos de antibióticos provocaram os problemas — desde os muito prescritos pelos médicos, como as sulfonamidas, usadas no tratamento doenças inflamatórias intestinais, e a ciprofloxacina, que combate infecções no trato urinário; a antibióticos aplicados por via intravenosa, como a penicilina, que combate a sífilis e a gonorreia.

Shamik Bhattacharyya, autor do estudo e também professor da Harvard Medical School, ressalta que mais pesquisas são necessárias para entender a fundo esse efeito adverso dos antibióticos. “Mas eles devem ser considerados como uma possível causa do delírio”, ressalta. Em 70% dos casos detectados no estudo, o exame de eletroencefalograma acusou atividade elétrica anormal do cérebro.

Especificados

Os pesquisadores conseguiram relacionar as disfunções cerebrais com o tipo de antibiótico usado. As convulsões, por exemplo, foram associadas à ingestão de penicilina e de cefalosporinas; usadas no tratamento de meningite, artrite, pneumonia e conjuntivite. Sintomas de psicose (perda de contato com a realidade) foram provocados por procaína penicilina, utilizada no combate à gengivite; por sulfonamidas, usada em infecções intestinas; por fluoroquinolonas, que trata otite; e por macrolídeos, que combate a gonorreia.

Em todos esses casos, o surgimento dos sintomas foi rápido. Porém, uma vez que os antibióticos foram interrompidos, os efeitos colaterais sumiram em alguns dias. “O reconhecimento dos diferentes padrões de toxicidade poderia levar a um diagnóstico mais rápido. Espero que, com isso, possamos evitar os delírios e outras consequências negativas para as pessoas”, diz Bhattacharyya.




Fonte: Correio Braziliense e CRF SC

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