De acordo com a Unifesp, até 17% dos pequenos podem sofrer com enxaqueca na infância

Pode até parece incomum, mas as crianças também sofrem com enxaqueca. De acordo com pesquisadores do SITC (Setor de Investigação e Tratamento das Cefaleias), da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, que estudaram a doença nos pequenos, a enxaqueca pode estar associada a déficit de atenção, piora no desempenho escolar, além de interferir nas relações familiares e sociais.

A neurologista-chefe do setor, Thais Rodrigues Villa, explica que a queixa de dificuldades escolares é comum em crianças com enxaqueca, e os pais e os professores afirmam que os pequenos pacientes parecem desatentas em casa e na sala de aula. Segundo dados da Unifesp, a  enxaqueca é comum nesta faixa etária e a prevalência na infância varia entre 3,76% e 17,1% no Brasil.

Devido a procura de pais para tratarem filhos com o problema no hospital, o setor de cefaleia resolveu realizar uma pesquisa. Foram analisadas 82 crianças de 8 a 12 anos de idade divididas em três grupos distintos: 30 crianças com enxaqueca sem tratamento, 22 crianças em tratamento e 30 crianças controle saudável. Para a análise, as crianças analisadas estavam livres de dor e sintomas de enxaqueca nos três dias que antecederam a avaliação e foram submetidas a avaliações médicas e neuropsicológicas.

As crianças com enxaqueca sem tratamento tiveram um desempenho significativamente pior em testes de atenção visual em comparação com o grupo controle e o grupo de crianças submetidas ao tratamento preventivo da enxaqueca. Os participantes que nunca trataram a enxaqueca apresentaram déficits de atenção seletiva e alternada.

Durante os testes de atenção, crianças com enxaqueca apresentaram altos níveis de impulsividade. Já aquelas em tratamento apresentaram níveis inferiores de impulsividade e ansiedade e o desempenho de atenção semelhantes ao grupo controle saudável, destacando o benefício do tratamento eficaz das crianças com enxaqueca.

Em comparação com crianças que não receberam nenhum tratamento, as crianças que receberam melhoraram seu desempenho escolar e receberam menos queixas de pais e professores sobre déficits de atenção. De acordo com a médica, é necessário investigar o déficit de atenção em crianças com enxaqueca e procurar ajuda especializada para o tratamento preventivo da dor de cabeça, quando este for indicado.

— Com um tratamento eficaz, é possível que o equilíbrio cerebral seja restabelecido e observamos melhora dos sintomas da enxaqueca e, consequentemente, dos déficits de atenção associados à doença.




Fonte: R7

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