Foto: © DDRockstar

Nas prateleiras das farmácias, há uma classe de medicamentos sui generis: os hormônios tireoidianos. Na verdade, são os únicos fármacos que substituem um órgão inteiro – a glândula tireóide, de fundamental importância para o bom funcionamento do nosso organismo. Aqui, especialistas explicam o que é preciso saber sobre essa pequena grande glândula que faz a diferença.

Sentir-se extremamente cansado sem motivo aparente, se esquecer de tarefas simples, ter dificuldade para se concentrar, notar que o cabelo ficou mais ralo, as unhas quebradiças e a pele mais seca. E ganhar peso mesmo quando se está controlando a alimentação. Tudo isso pode sugerir a existência de hipotireoidismo – uma insuficiência na produção dos hormônios T3 e T4, produzidos pela tireoide. A doença é de cinco a oito vezes mais comum em mulheres do que em homens, e os distúrbios da tireoide geralmente surgem a partir dos 30 ou 40 anos. Cerca de 10% das mulheres acima de 40 anos e em torno de 20% das que têm acima de 60 anos manifestam algum problema na tireóide. Algumas estatísticas demonstram que 1 em cada 5 mulheres que procuram seus ginecologistas para iniciar a terapia de reposição hormonal apresenta, na verdade, problemas tireoidianos. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, melhor a qualidade de vida dos pacientes. Por outro lado, o hipertireodismo – distúrbio oposto, em que o organismo produz excesso de hormônios – também tem sintomas muito característicos. Em certos quadros mais avançados e sem controle, os olhos esbugalhados são uma das marcas desse excesso.

De acordo com o Dr. Osmar Saito, médico radiologista do Centro de Diagnósticos Brasil (CDB), em São Paulo, os distúrbios da tireoide podem ser diagnosticados por um simples exame de sangue em que são realizadas as dosagens dos hormônios tireoidianos T3 e T4, além do TSH – hormônio produzido pela hipófise e que estimula a tireoide a produzir seus hormônios. Também poderá ser solicitada a dosagem de auto-anticorpos. E, além dos distúrbios hormonais, um médico clínico ou endocrinologista que realizar a palpação do pescoço pode detectar a presença de nódulos e recomendar a realização de exames complementares, como ultrassonografia, cintilografia ou mesmo uma biópsia.

“Em 97% dos casos, a presença de um nódulo na tireoide não é um câncer. Para os outros 3% com diagnóstico positivo para um tumor maligno, é importante salientar que esse tipo de câncer costuma apresentar ótima evolução. Mesmo assim, pacientes com história de irradiação prévia na região do pescoço ou com histórico de doença tumoral tireoidiana na família deverão ser submetidas a uma pesquisa clínico-laboratorial e exames de imagem mais minuciosos”, diz o Dr. Saito. A tireóide, essa pequena notável, pode mesmo ser muito caprichosa.

A presença de nódulos é apenas um dos problemas que podem acometer a tireóide – aliás, o menos freqüente. O hipotireoidismo e seu oposto, o hipertireoidismo, afetam mais de 5% da população brasileira. A tireoide é responsável por produzir dois hormônios essenciais para o funcionamento do corpo humano – são o T3 (triiodotironina) e o T4 (tetraiodotironina). Esses hormônios são sintetizados com associações do Iodo e por estímulo do eixo hipotálamo-hipófise-tireoide. “Este ciclo funciona como um combustível, atuando no crescimento físico e neurológico do individuo, além de modular a regulação de várias funções dos nossos órgãos por meio de uma série de processos bioquímicos. Os hormônios tireoidianos influenciam desde a temperatura do corpo até batimentos cardíacos e estados psíquicos,”, explica a Dra. Maria Cristina Chammas, mestra e doutora em Radiologia, responsável pelo serviço de Ultrassonografia do Alta Excelência Diagnóstica. Segundo ela, o T3 e o T4 são fundamentais para o nosso ânimo, disposição, bom humor e sono adequado, entre outras influências dos hormônios tireodeanos.

Mas ao longo da vida, a tireoide pode apresentar problemas e passar a produzir menos ou nenhum hormônio. “Quando isso acontece, o paciente pode sofrer desde o ganho de peso ou emagrecimento rápido até queda de cabelo, pele seca, dores musculares, sono, cansaço e alterações menstruais, no caso das mulheres”, explica a médica. Segundo a Organização Mundial de Saúde, 300 milhões de pessoas em todo mundo sofrem de disfunções na tireoide, mas metade delas não sabe disso. Cerca de 4,6% da população brasileira sofre de hipotireoidismo (quando a tireoide trabalha pouco ou para de trabalhar); por outro lado, cerca de 1,3% dos brasileiros sofre de hipertireoidismo (quando a glândula trabalha demais).

Conheça os sinais do Hipo e do Hipertireoidismo

HIPOTIREOIDISMO HIPERTIREOIDISMO
Ganho de peso Emagrecimento súbito
Diminuição da frequência cardíaca Taquicardia
Cansaço e sono Falta de sono
Intestino preso Irritabilidade e ansiedade
Falta de crescimento Variações de humor
Falhas de memória Tremores
Dores musculares Intolerância ao calor
Pele ressecada Diarreia
Queda de cabelo
Desânimo

Como tratar

No caso do hipotireodismo, o objetivo do tratamento é repor a deficiência de hormônio. O medicamento mais frequentemente utilizado é a levotiroxina, mas há outros disponíveis. E o tratamento deverá ser seguido por toda a vida, mesmo se os sintomas desaparecerem, pois são frequentes as recaídas com a interrupção do medicamento. Mas é muito bem sucedido. Praticamente 100% dos pacientes são bem controlados. Mesmo quem não tem a glândula – extraída por causa de nódulos ou tumores – pode viver muito bem, substituindo sua glândula pelas caixinhas de hormônio vendidas na farmácia. Já no caso do hipertireodismo, pode haver algumas dificuldades no caminho do tratamento. As terapias mais indicadas – iodo radiativo, medicamentos específicos e cirurgia para remoção da glândula ou de parte dela – podem eventualmente produzir um efeito de hipotireoidismo. Um bom acompanhamento médico é fundamental.

Um lembrete dos médicos: hormônios tireodianos – que são vendidos sem receita médica – jamais devem ser tomados com o objetivo de acelerar o metabolismo com a finalidade de perda de peso, como chegou a ser modismo alguns anos atrás.


Fonte: ABC Farma

 

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