Foto: © Piotr Adamowicz

No próximo 14 de novembro celebra-se o Dia Mundial e Nacional de Diabetes, através de campanhas de conscientização sobre a doença, incluindo postos avançados para aferição de glicemia. Aqui em São Paulo, a Associação Nacional de Assistência ao Diabético faz uma jornada de detecção, orientação e educação no dia 15, quando oferecerá 10 mil testes gratuitos de glicemia e, para os diagnosticados com a doença, exames para detecção das graves complicações da moléstia. É uma forma de alertar as pessoas sobre a necessidade de controlar a glicemia – seja por mudança de hábitos ou por medicações específicas. Nada menos que 385 milhões de pessoas – cerca de 5% da população mundial – têm a doença. E menos da metade sabe disso e exerce controle sobre ela. Aqui, os especialistas esclarecem dúvidas e sobre a melhor forma de controlar o diabetes

Sempre que se fala do diabetes, convém ressaltar que existem dois tipos da doença: o I e o II. O diabetes do tipo I não pode ser evitado: é uma doença autoimune que, em geral, se manifesta na infância e na adolescência, quando o pâncreas perde sua capacidade de produzir insulina – obrigando o paciente a repor a substância diariamente através de injeções. No caso do diabetes tipo II, a forma mais comum da doença (90% dos casos), o pâncreas fabrica insulina, mas o organismo perde a capacidade de absorvê-la nas células para metabolizar a glicose, criando uma resistência. Nesse caso, hábitos de vida pouco saudáveis desencadeiam o diabetes – ou seja, a maior parte dos casos, muitos acompanhados de obesidade, poderia ser evitada com a prática de hábitos saudáveis. Os dois tipos de diabetes precisam ser tratados a partir do momento que é diagnosticado. No Brasil, o diabetes já é reconhecido como um importante problema de saúde pública, pelo aumento de sua incidência e pelos reflexos sociais e econômicos que acarreta. Segundo a Dra. Tarissa Petry, endocrinologista do Centro de Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o diabético pode precisar se afastar do trabalho com mais frequência por conta de consultas, descontroles glicêmicos e hospitalizações em decorrência da doença não tratada. “As complicações agudas, decorrentes do diabetes, também exercem impacto direto sobre a qualidade de vida e rotina do paciente, pois aumentam a predisposição a transtornos depressivos e de ansiedade, interferem nas relações de trabalho, no desempenho de tarefas domiciliares e escolares, bem como na própria independência. Além disso, situações de estresse podem descontrolar os níveis de glicemia no sangue”, explica a médica. E por ser uma “doença silenciosa”, o diabetes pode atingir pessoas no período mais produtivo da vida profissional, prejudicando inclusive a ascensão na carreira.

A especialista reforça ainda que o portador de diabetes pode e deve levar uma vida normal, principalmente, se estiver bem orientado. “O controle adequado do diabetes deve ser prioridade na vida do paciente para que ele consiga exercer suas funções com saúde, sem ter problemas comuns da doença no futuro”, afirma Dra. Petry.

Em casa

O avanço da medicina também permite ao paciente diabético fazer um controle da doença sem sair de casa ou do ambiente de trabalho. “Antigamente, o endocrinologista solicitava exames periódicos de glicemia, entre outros. Hoje, com o aperfeiçoamento de vários equipamentos, o diabético controla melhor sua taxa em qualquer lugar, de forma prática e sem causar transtornos, permitindo que o paciente tenha uma vida normal”, comenta a especialista. “É importante ressaltar que fatores como armazenagem correta da insulina, precisão dos horários das alimentações e o monitoramento glicêmico são cruciais para evitar complicações que podem causar hipoglicemias frequentes, mal-estar e até afastamentos, além de impactar o tratamento do diabetes em longo prazo”, diz a Dra. Petry.

O Tipo 2 pode confundir o paciente

Considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma epidemia mundial, o diabetes tipo 2 em suas fases iniciais não apresenta sintomas agudos e, quando a doença não está descompensada, pode passar despercebida tanto em adultos quanto nas crianças. Muitas vezes, as complicações podem se instalar e progredir antes mesmo que o diagnóstico seja feito. Segundo estimativas da International Diabetes Federation (IDF), só no Brasil são 12 milhões de portadores do diabetes e quase 30% desse contingente não sabe que tem a doença. “Os sintomas do diabetes podem ser facilmente confundidos com outros sinais, por isso não são automaticamente associados à doença. A sede, por exemplo, é um dos principais sintomas e, muitas vezes, é relacionada apenas com o calor”, afirma a Dra. Rocio Riatto Della Colleta, Endocrinologista e Gerente Médica da Novo Nordisk.

A “Regra das Metades”, que ajuda a quantificar a porcentagem de detecção, diagnóstico e tratamento, estima que apenas metade das pessoas com diabetes na América Latina são diagnosticadas e 25% recebem tratamento adequado. Passados alguns anos com a doença, o agravamento pode desencadear problemas nos olhos, rins, nervos e vasos, acarretando prejuízo da visão, perda da função renal, amputação de membros inferiores, infarto e derrame. E é por isso que atentar aos sintomas é tão importante.

De acordo com a Dra. Rocio, os principais sintomas são: muita sede, muita vontade de urinar, fadiga, aumento do apetite e emagrecimento. “Como a glicemia está alta é até estranho falar que o paciente come muito e emagrece. Isso acontece porque ele está utilizando outras fontes de energia, como proteínas e gordura. A glicose, que deveria ser a fonte de energia, está alta no sangue, mas não é metabolizada dentro das células”, descreve. No tipo 1 da doença, os sintomas são os mesmos, mas aparecem de uma forma mais rápida e aguda. A doença acaba sendo descoberta em meio a uma situação de risco, como no pronto atendimento dos hospitais após algum problema de saúde mais urgente. Em qualquer situação, é sempre importante não minimizar os sintomas e procurar um médico ao notar alguma alteração no organismo. Assim, é possível realizar os exames e, se necessário, dar início ao tratamento o mais rápido possível.

Tirando dúvidas

Excesso de açúcar pode causar diabetes?

Não, o que pode causar diabetes é a obesidade resultante da ingestão exagerada de açúcares, o que provoca uma maior resistência à ação de insulina nas células.

Indivíduos com a glicose na faixa de 100/125 são mesmo pré-diabéticos? Ficarão diabéticos, necessariamente?

São pré-diabéticos e se não fizerem uma mudança no estilo de vida, com emagrecimento e atividade física, existe, sim, uma grande chance de ficarem diabéticos.

Qual é o parâmetro metabólico que determina a necessidade de se tomar insulina? Algum número de glicemia específico do qual não há volta?

A indicação de insulina se faz quando o paciente é diabético tipo 1 ou quando o diabético tipo 2 não responde adequadamente aos medicamentos hipoglicemiantes de uso oral. Com o passar do tempo, o descontrole da doença pode fazer com que o pâncreas passe a não mais produzir uma quantidade de insulina suficiente para que os hipoglicemiantes resultem num bom controle, sendo assim indicada a insulina.

Que porcentagem de pacientes de diabetes tipo 2 acabarão se tornando dependentes de insulina?

Hoje em dia, com as novas drogas, a necessidade de insulina no diabetes tipo 2 tem diminuído. Muitos pacientes podem viver anos bem controlados sem a necessidade de insulina, com os novos tratamentos em uso hoje em dia. Por conta disso, é difícil prever quantos pacientes evoluem para o uso de insulina, inevitavelmente.

Como agem os medicamentos antidiabetes?

Há varias formas de ação dos hipoglicemiantes. Eles podem agir diminuindo a absorção de glicose pelo trato gastrointestinal, melhorando a sensibilidade à insulina, diminuindo a secreção de hormônios contrarreguladores e também estimulando a produção de insulina pelo pâncreas. Hoje, pode-se usar uma associação de drogas que, juntas, resultam num bom controle da glicemia. Eles não perdem o efeito, mas uma vez que o pâncreas fica sendo estimulado por algumas dessas medicações durante anos, isso pode levar a uma fadiga e diminuição da capacidade pancreática de produzir insulina.

O que um diabético não pode e não deve comer?

Não deve comer açúcares livres e deve evitar grande quantidade de carboidratos na mesma refeição. Também deve manter uma dieta hipocalórica se estiver acima do peso, com baixo teor de gordura.

A dieta deve ser sempre individualizada, variando para cada estilo de vida e paciente.


Fonte: ABC Farma

 

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