Foto: © grki

Fungos na ponta dos dedos

Verão em alta, mar, piscina e muita gente dividindo o mesmo espaço. Esse cenário, típico das altas temperaturas, não é cobiçado só por banhistas e turistas do mundo inteiro. É também o habitat ideal para os milhares de fungos que se proliferam nessas condições e causam as tão temidas e incômodas micoses –que é o nome genérico dado às várias infecções de pele e unhas causadas por fungos. Como evitar e tratar? É o que explica a dermatologista da Universidade Federal de São Paulo, Dra. Meire Odete Américo Brasil Parada

Existem cerca de 230 mil tipos de fungos, mas apenas 100 tipos deles causam infecções. Em condições favoráveis, como ambientes com muita umidade e calor, os fungos se reproduzem rapidamente e podem dar origem a um processo infeccioso que, dependendo do fungo ou da região afetada, pode ser superficial ou profundo.

“Como todo agente infeccioso, os fungos adoram o calor e a umidade e no verão se sentem no paraíso. Mas se engana quem acha que micose só se pega no verão. Abafar pés e mãos pode causar o problema, que embora contagioso, não é adquirido apenas por transmissão”, explica a Dra. Meire Odete

Mas, como todas as afecções muito comuns, as micoses são cercadas por informações não muito precisas – que aqui são esclarecidas pela médica.

Existe mais de um tipo de micose

O número de tipos de micose é proporcional ao número de fungos. Os dois tipos mais comuns são:

– A micose superficial mais comum é a frieira (tinea pedis), conhecida como “pé-de-atleta”, que atinge a pele entre os dedos, geralmente a dos pés. Ela pode vir acompanhada de uma infecção bacteriana e, em alguns casos, a cura pode demorar vários meses.

– A pitiríase versicolor: conhecida vulgarmente como pano branco, é uma micose superficial causada pela levedura P. ovale.

Formas de contágio

-Contato com animais de estimação

-Em chuveiros públicos

-Lava-pés de piscinas, praias e saunas

-Andar descalço em pisos úmidos ou públicos

-Uso de toalhas compartilhadas ou mal-lavadas

-Peças de uso comum (botas, luvas)

-Uso de alicates de cutículas, tesouras e lixas não-esterilizadas

-Usar roupas úmidas por tempo prolongado

Micose passa de uma unha para outra ou da unha para a pele

Como o contágio se dá por contato, é possível que uma unha infeccionada transmita o problema para as outras, tanto nos pés quanto nas mãos, embora na dos pés isso seja mais comum.

“As unhas ficam expostas a agentes externos e ao contato de uma com as outras. Se houver uma infecção em uma delas, certamente será transmitida às demais”, explica a Dra. Meire.

A micose pode passar não só de uma unha para outra como também da unha para pele

O uso de esmalte atrapalha o tratamento das micoses

O esmalte impermeabiliza a unha e dificulta a penetração do medicamento. O ideal é usar esmaltes antimicóticos, pois eles são os mais indicados para cuidar de micoses já que apresentam maior taxa de antifúngicos. Mas seu uso, segundo a médica, deve ser feito apenas sob prescrição médica, para evitar alergias ou reações

Micose de unha e pele: a principal diferença

Se há uma diferença entre pele e unha em relação às micoses, ela está no tratamento. Tratar micoses de unha é muito mais trabalhoso e demorado do que as da pele. Isso porque, segundo a dermatologista, o tratamento das unhas depende da eliminação da unha contaminada, o que demora em média um ano para acontecer. “É preciso retirar a parte que se descola da pele em função da infecção, limpar muito bem a área que fica debaixo da unha e esperar. É um processo demorado e difícil que requer disciplina e paciência”, explica. Os sintomas também são diferentes. A unha não dói e fica amarelada, já a pele fica avermelhada e coça bastante, o que incomoda bem mais

Os antifúngicos de consumo oral: cuidado com o fígado

Os antifúngicos orais são metabolizados unicamente pelo fígado, podendo sobrecarregar ou agredir o órgão. “Por isso, pessoas com problemas hepáticos não devem fazer uso dos antifúngicos”, alerta a dermatologista.

Micoses não devem ser tratadas apenas por podólogos

Os podólogos são profissionais preparados para identificar esse tipo de infecção e treinados para fazer a assepsia do local atingido, essencial para a recuperação. Mas não podem receitar nenhum tipo de medicamento.

Tratamentos disponíveis

Existem métodos eficazes e seguros para o tratamento de micose. Mas, no caso das unhas, o tratamento exige persistência e paciência, porque é demorado. Além disso, as aparências enganam muito nestes casos.

“Às vezes, o paciente interrompe o tratamento e acha que já está curado porque a região afetada parece recuperada mas, na verdade, ainda não se alcançou a cura total e o tratamento tem que começar novamente”, alerta a Dra. Meire. O tratamento pode ser por via oral ou tópico e, dependendo da gravidade do caso, pode ser necessária a combinação dos dois métodos.

Tratamentos alternativos nem sempre funcionam

Algumas terapias naturais se tornaram muito freqüentes para tratar a micose. Duas delas são analisadas pela Dra. Meire

Suco de limão

“O suco de limão não tem ação alguma sobre a micose e, por ser ácido, quando exposto ao sol pode causar manchas e, em casos mais graves, provocar queimaduras”, explica Meire.

Óleo de melaleuca contra os fungos

O óleo de melaleuca tem sido aplicado no tratamento de infecções por causa das suas propriedades anti-sépticas e pela sua capacidade de se misturar à secreção sebácea e penetrar na epiderme. Mas é importante saber que esse óleo pode produzir efeitos colaterais graves, como secura da pele, prurido, sensação de queimação e pontadas, além de vermelhidão. “Eu não indico o produto. Acho que existem medicamentos confiáveis e acessíveis que são mais eficientes e não produzem efeitos colaterais” alerta Meire.


Fonte: ABCFarma

 

Anúncios