Micro-organismo criado por cientistas dos EUA envia sinais para o cérebro, freando o apetite – e evitando o ganho de peso.

Por Salvador Nogueira

 

 

Trinta por cento da população mundial -2,1 bilhões de pessoas- está acima do peso. A humanidade está perdendo a guerra contra a gordura. Mas e se existisse uma solução quase milagrosa para conter a onda de obesidade? Talvez exista. É o que indica o resultado de uma experiência a feita por cientistas americanos, que criaram uma bactéria capaz de impedir o ganho de peso. É uma versão mutante da Escherichia coli, bactéria que faz parte da nossa flora intestinal e costuma ser inofensiva. Os pesquisadores colocaram um gene a mais na E.coli. Graças a isso, ela ganhou um poder: fabricar N-acilfosfatidiletanolamina. Esse hormônio de nome comprido normalmente é produzido pelo corpo humano, e tem uma função simples: indicar ao cérebro que a pessoa comeu o suficiente. Ele freia o apetite.

Um grupo de ratos de laboratório recebeu a superbactéria, misturada com água. Os bichinhos tinham alimentação à vontade, podiam comer o quanto quisessem. Mas, depois de oito semanas, algo impressionante aconteceu. “Os níveis de obesidade caíram”, diz o biólogo Sean Davies, líder do estudo. Os ratos não só não engordaram; eles haviam perdido peso. Tudo porque a bactéria mutante se instalou no organismo deles e começou a produzir o tal hormônio, tirando a vontade de comer em excesso. Depois que os bichos pararam de receber a E.coli modificada, o efeito durou mais quatro semanas. Não houve efeitos colaterais.
Agora, os pesquisadores querem testar a descoberta em humanos. Se ela funcionar, será possível criar uma bebida probiótica (tipo Activia ou Yakult) contendo a tal bactéria – que as pessoas beberiam para emagrecer.


Fonte: Super Abril

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