Interação medicamentosa!

Quando dois ou mais medicamentos são utilizados em associação, os mesmos podem agir de forma independente, sem que haja interferências entre suas ações, contudo, estes podem interagir entre si, resultando em aumento ou diminuição de efeito terapêutico ou tóxico de um deles ou de ambos.

Atualmente tem-se a nível nacional cerca de 1.500 fármacos, com aproximadamente 5.000 nomes comerciais e 20.000 formas farmacêuticas e embalagens diferentes. Essa diversidade e a facilidade de acesso trás juntamente com as vantagens terapêuticas, os riscos quanto aos efeitos indesejados e as interações medicamentosas.

O Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox/Fiocruz) registrou somente em 2011, uma média de 30.000 casos de intoxicações medicamentosas. Embora não se saiba entre estes, qual é o número que corresponde às interações, há situações que possibilitam sua ocorrência, como o uso terapêutico errado, prescrição incorreta e a automedicação. Esta última é apontada por profissionais de diferentes unidades da Fiocruz, como o maior gerador de interações medicamentosas.

As dificuldades em estimar a incidência dessas reações, se deve a restrições em fazer certas distinções, como, entre a freqüência com que dois fármacos de interação potencial são prescritos juntos e a freqüência com que se verifica a presença das interações decorrentes dessa prescrição; a distinção entre eventos de ocorrência espontânea e aqueles por conseqüência de efeitos adversos; e a diferenciação entre o surgimento de efeitos que se devem ao uso incorreto do medicamento pelo paciente ou que ocorrem de fato, em função da interação medicamentosa. Além disso, essa estimativa sofre com as diferenças observadas nos hábitos de prescrição entre diferentes regiões, bem como em fatores que tornam alguns pacientes mais vulneráveis a interações potencialmente prejudiciais, como idade, múltiplas medicações, presença de doença aguda grave, função renal ou hepática precária e mais de um especialista prescritor.

Os medicamentos podem interagir durante o preparo, ou após a administração, no momento da absorção, distribuição, metabolização, eliminação ou na ligação ao receptor farmacológico. Alguns fatores influenciam para a ocorrência ou não de interação, sendo que, algumas delas só ocorrem quando dois ou mais fármacos são administrados pela mesma via. Também o intervalo entre as administrações pode interferir nas interações. Sendo assim, havendo um conhecimento prévio entre as medicações, pode-se remanejar os horários das tomadas a fim de evitar ou reduzir os riscos.

Algumas interações são dose dependentes, isso é, quanto maior a dose dos medicamentos envolvidos, maior a possibilidade de interação. Outro fator de interferência é a forma farmacêutica do medicamento, por exemplo, os de liberação gradual permanecem por mais tempo no organismo, podendo então interagir com outra substância ingerida pelo paciente nesse meio tempo.

O Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para Farmacêuticos realizou uma pesquisa, revelando que cerca de 76,4% dos brasileiros faz uso de medicamentos a partir de indicações de familiares, amigos, colegas e vizinhos. São pessoas que fazem uso de qualquer tipo de remédio quando necessitam ou dispõe, inclusive aumentando dosagens a fim de obter resultados mais rápidos.

O uso racional de medicamentos é muito importante. Os riscos do uso aleatório são enormes e imensuráveis, podendo gerar conseqüências permanentes nos seus usuários. Em nossa cultura o uso de fármacos tornou-se usual, tanto quanto adquirir uma roupa ou qualquer objeto de uso cotidiano. As famílias estocam medicamentos, muitas vezes não há controle de validades, fazem combinações baseadas em efeitos apresentados por terceiros, agindo de forma arriscada.

É de extrema importância sempre procurar um profissional ao sentir a necessidade de intervenções farmacológicas, também relatar no momento das consultas médicas ou das compras em farmácias, qualquer substância que esteja sendo utilizada, até mesmo as de uso tópico, ou fitoterápicos, que são formas muito negligenciadas pela população por se pensar que não interferem com outros medicamentos. Quanto maior for a informação repassada ao profissional, maiores as chances de uma terapêutica de sucesso e que garanta a qualidade de vida e bem estar do paciente.

Por: Mariana Kist Pompermaier (Farmacêutica – CRF-PR: 24332)


Fonte: Jornal Novo Tempo

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