A Fenitoína não vem sendo distribuída em obediência a uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), publicada no Diário Oficial da União de 8 de abril de 2015.

A falta do medicamento Fenitoína, cuja distribuição está suspensa no Brasil desde abril, já começou a afetar a vida de quem necessita do remédio. A droga é utilizada principalmente no tratamento e controle de convulsão, epilepsia e nevralgia. Além da falta do medicamento nas farmácias do Sistema Único de Saúde (SUS), a substância também está em falta nas drogarias.

Em abril deste ano, a distribuição foi suspensa  por conta de uma resolução  da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que considerou “irregularidades detectadas em inspeção para verificação de Boas Práticas de Fabricação na empresa fabricante”.

O Ministério da Saúde ressalta que outros tipos de medicamentos podem ser utilizados no tratamento das crises convulsivas, conforme prescrição médica, e orienta que os pacientes procurem ajuda profissional para rever o tratamento. No entanto, não são todos que se adaptam à mudança de medicamento. Este é o caso da aposentada Almira Ferreira, de 70 anos.

Vera Holanda, filha da aposentada, conta que a família está se sentindo de “mãos atadas”. “O remédio é distribuído pelo SUS, mas tivemos a informação que ele não está nem sendo produzido. O pior é que também não tem nas farmácias particulares”, conta. A mãe dela sofre de Alzheimer e precisa tomar 60 comprimidos por mês, sendo dois por dia.

Na bula, além do tratamento de crises convulsivas epilépticas e parciais, o medicamento é indicado para crises convulsivas por traumatismo craniencefálico, secundárias e neurocirurgia. “Já fomos a todas as farmácias do SUS em Manaus, nas drogarias e até em Fortaleza, e não encontramos. Para minha sorte,  uma senhora que conhecemos tinha cinco caixas  e dividiu com minha mãe”.

Porém, as últimas pílulas estão acabando e, segundo Holanda, o médico prescreveu outro medicamento, mas Almira não se adaptou. “Ela passou mal, foi levada ao Pronto Socorro às pressas”, relata.

A última esperança da família, ainda segundo Holanda, é ir buscar o medicamento em outra cidade. “Ficamos sabendo que ainda há o medicamento em algumas drogarias de Belém. Vou enviar a receita pelos Correios e esperar que me enviem de lá”.

Abastecimento

O Ministério da Saúde informou que o Componente Básico da Assistência Farmacêutica, do qual a Fenitoína faz parte, destina-se à aquisição de medicamentos e insumos no âmbito da Atenção Básica à Saúde. A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), responsável pela  aquisição de medicamentos e insumos,  informou que o medicamento está em falta e “não há produção no mercado nacional por falta de matéria-prima internacional. Nem mesmo as farmácias populares estão podendo adquirir a medicação”, alega a prefeitura.

Portaria suspendeu produção

A Fenitoína não vem sendo distribuída em obediência a uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), publicada no Diário Oficial da União de 8 de abril de 2015.

A medida,  de “interesse sanitário”, suspendeu, em todo o território nacional, a importação de todos os insumos farmacêuticos da empresa fabricante do medicamento.A  Anvisa foi questionada obre a suspensão do medicamento, previsão para reabastecimento e altenativas aos pacientes.

No entanto, por telefone, o órgão informou apenas que a distribuição do medicamento continua suspensa por “irregularidade detectadas em inspeção”.  A assessoria não soube mensurar as consequências do consumo, uma vez que lotes continuam à venda, mas informou que, por estar suspensa, os pacientes não devem mais consumir a medicação “por causa dos riscos”.


Fonte: A Crítica UOL

 

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