Na opinião de homens que fazem tratamento contra a calvície, não é dos carecas que elas gostam mais. Para felicidade deles, a medicina tem criado novas maneiras de combater a falta de cabelo.

“Eu achava feia a calvície, mas eu via aqueles resultados sofríveis e ridículos de quem tinha tentando fazer implante e pensava que era melhor deixar como estava”, conta o empresário Carlos (nome fictício), de 47 anos –ele pediu para não ter o nome divulgado na reportagem.

Ele mudou de ideia quando encontrou um amigo que não via fazia anos: “Ele era careca como eu”. Ao olhar a cabeleira, não resistiu e perguntou: “É implante?”.

Carlos acabou fazendo duas sessões de cirurgia. Em cada procedimento, foi retirada uma tira de mais de 30 cm de comprimento por 1,5 cm de espessura da parte de trás da cabeça, onde os cabelos crescem mais vastamente.

É a chamada área doadora. Os fios de cabelo que crescem ali não são susceptíveis aos fatores hormonais que fazem os cabelos do topo da cabeça enfraquecerem e caírem.

A alternativa cirúrgica à qual Carlos foi submetido, chamada FUT (sigla para transplante de unidade folicular, em inglês) é a mais radical e, segundo os médicos, uma das mais eficientes maneiras de tratar a calvície.

Há uma nova técnica, mais moderna e com recuperação mais rápida, porém.

Na FUE (extração da unidade folicular), o cirurgião extrai os folículos um a um, deixando uma pequena cicatriz em forma de ponto no local –menos agressiva, portanto, que a técnica FUT.

A desvantagem é que a FUE, além de ser mais cara, rende menos folículos e cobre uma área menor da careca, mas isso tem mudado para melhor rapidamente.

ROBÔ

Um desses aprimoramentos se deve à utilização de um robô para a extração dos cabelos, que custa R$ 1,85 milhão. Mais preciso do que as mãos humanas, o robô permite um aproveitamento melhor dos fios extraídos –a máquina consegue preservar a integridade dos folículos (de onde saem de um a quatro fios).

Após a extração, centenas de folículos são inseridos pelo médico na área a ser coberta do couro cabeludo. Segundo o João Faria, da Advance Medical, que representa a fabricante americana no Brasil, as novas gerações do robô serão capazes de realizar também a implantação.

Atualmente, a qualidade dos implantes varia muito, diz o dermatologista Arthur Tykocinski. “Depende muito da experiência do médico. Leva anos para o cirurgião ficar bom. O melhor resultado acontece quando não dá para saber que houve transplante.”

O desenvolvimento das técnicas é recente, diz o médico José Rogério Reis, da Sociedade Brasileira de Dermatologia. “O marketing negativo é a pior coisa para a área. Cerca de 20% dos procedimentos acabam tendo que ser refeitos.”

Fazer uma cirurgia ainda é caro. Os valores dependem da área calva e da quantidade de cabelo a ser implantada. Uma única cirurgia pode passar dos R$ 30 mil, e muitas vezes elas podem ser repetidas (como no caso de Carlos) ou com um procedimento híbrido, composto da combinação das duas técnicas (FUE e FUT), aumentando o custo. No caso de Carlos, foram gastos R$ 70 mil.

Quem não quer saber de cirurgia, porém, tem alternativas menos dramáticas (e que, às vezes, podem não trazer os resultados imaginados) como comprimidos, loções e até tratamento a base de laser. É possível engrossar o fio, segundo Reis, mas nada de milagres.

Na linha preventiva, para “salvar o que se tem”, existem medicamentos em loções, como o minoxidil, e e comprimidos, como a finasterida. Como eles agem de maneira diferente, podem até mesmo ser usados em conjunto.

A loção com minoxidil e drogas análogas estimula a dilatação dos vasos e traz vigor ao folículo capilar. O comprimido à base de finasterida impede a formação de di-hidrotestosterona, responsável, entre outras coisas, pela queda capilar em quem tem susceptibilidade.

O problema da finasterida é que ele pode trazer prejuízos como impotência, perda da libido e redução do volume ejaculatório em uma pequena parte dos que tomam o comprimido.

No entanto, os efeitos são reversíveis e o medicamento é, em geral, bastante seguro.

Mulheres, que também podem ter calvície, têm que ter cuidado porque os medicamento podem ser contraindicados, especialmente em casos de gravidez.


Créditos: Gabriel Alves
Fonte: Folha de S. Paulo

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