É uma dúvida que muitas pessoas possuem e poucas sabem responder. Afinal, tem diferença entre essas apresentações farmacêuticas?

Resposta: Sim.

O Conselho Federal de Farmácia respondeu de forma categórica a essa pergunta, citando as principais diferenças entre um e outro.

“…

Diclofenaco potássico | Diclofenaco sódico

Indicações*

Dor leve a moderada e dismenorreia primária | Dor aguda no ombro**

Farmacocinética: Liberação do diclofenaco no estômago | Resiste a dissolução no baixo pH do suco gástrico, mas permite uma rápida liberação do diclofenaco em meio alcalino, como no duodeno.

Pico de concentração plasmática: Em cerca de 1 hora (média de 0,33-3h) | Em cerca de 2 horas (média de 1-4h).

Vale ressaltar que estas diferenças se devem mais às formulações do que ao fármaco em si.

*Além das indicações usuais do diclofenaco, como: artrite reumatóide (AR), osteoartrite, espondilite ancilosante, AR juvenil, etc.

** Melhor tradução para acute painful shoulder.

Ressaltamos ainda que:

– As duas apresentações apresentam a mesma eficácia terapêutica, nas indicações usuais do diclofenaco;
– As diferentes formas farmacêuticas disponíveis no mercado fazem com que as apresentações tenham variações em seu tempo de início e duração de ação, o que pode interferir na dose e esquema posológico a serem indicados para cada um deles;
– A posologia deve ser individualizada, não só para o diclofenaco, como para todos os anti-inflamatórios não esteroides, para minimizar risco de eventos adversos.
O complexo diclofenaco+ colestiramina, Flotac (R), é empregado por ter ação mais longa. Segundo o fabricante desse medicamento, o complexo diclofenaco-colestiramina proporciona início de ação mais rápida e de longa duração. Contudo, essa informação não foi confirmada no Martindale, DRUGDEX, USP-DI e nenhum artigo específico foi encontrado no MEDLINE ou IDIS.”

O texto na íntegra você visualiza aqui.

O artigo paquistanês de Mahmood Ahmad intitulado “Comparison of bioavailability and pharmacokinetics of diclofenac sodium and diclofenac potassium in normal and dehydrated rabbits”, conclui afirmando que o diclofenaco de potássio possui uma absorção mais rápida que o de sódio. Portanto, o mesmo funciona melhor como analgésico devido a rapidez de sua ação.

Segundo Goodman & Gilman (2012), o diclofenaco é um derivado do ácido fenilacético e está entre os AINEs (Anti-inflamatórios não esteroides) mais comumente usados na União Europeia. É comercializado como um sal de potássio para administração oral, como uma forma de epolamina para administração transdérmica e como um sal de sódio para administração tópica ou oral. Possui atividade analgésica, antipirética e anti-inflamatória. Sua potência é substancialmente maior que a da indometacina, do naproxeno e de vários outros AINEs. A sua seletividade pela COX-2 é semelhante à do celecoxibe.

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Fonte da foto: Goodman & Gilman (2012).

O diclofenaco possui rápida absorção, ampla ligação às proteínas plasmáticas e meia-vida de 1-2hs. Há um substancial efeito de primeira passagem, de modo que a biodisponiblidade do diclofenaco é de apenas 50%. O fármaco se acumula no líquido sinovial após a administração oral, o que justifica seu efeito terapêutico ser mais longo no que comparado a sua meia-vida plasmática.

Nos Estados Unidos o diclofenaco está aprovado para tratamento sintomático a longo prazo da artrite reumatoide, da osteoartrite, espondilite ancilosante, dor, dismenorreia primária e enxaqueca aguda.

Em termos de efeitos colaterais (particularmente gastrintestinais) em aproximadamente 20% dos pacientes tais efeitos são relatados. Em média 2% abandona o tratamento após o aparecimentos dos mesmos.


Fonte: Farmacologia Clínica

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